Contra a proposta do MEC de mudança de denominação dos cursos de Editoração/Produção Editorial
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Consideramos essa mudança inadequada porque o curso de Comunicação Social-Editoração (ou Comunicação Social-Produção Editorial, em algumas instituições), existente há mais de 30 anos, constitui espaço privilegiado de formação de profissionais competentes para atuar no mercado editorial brasileiro, incluindo aí não apenas o segmento livreiro, mas também o de revistas e produções digitais. A formação desses profissionais pressupõe não apenas o domínio de técnicas e recursos tecnológicos de produção editorial, mas também o estudo aprofundado de teorias e métodos que fundamentam a prática profissional na área e fornecem subsídios para a reflexão crítica sobre a editoração, seus processos e seus públicos.
O curso tem se consolidado como instância de reflexão sobre a edição de livros, revistas e produtos digitais; o mercado editorial e suas relações com os outros setores de comunicação e cultura; as políticas públicas e os hábitos de leitura e consumo de produtos editoriais; as práticas de edição de texto e de edição de arte, bem como das teorias que as fundamentam. A transformação do curso de Editoração em um curso superior de tecnologia pressupõe diminuir a carga horária de formação humanística e teórica, enfatizando a formação técnica/prática. Em consequência, o espaço institucional, didático e de investigação que o curso mantém estaria prejudicado, com efeitos negativos tanto para o mercado editorial brasileiro quanto para o desenvolvimento do conhecimento científico na área.
O rótulo de "produção multimídia" vai contra a especificidade que os estudos de Editoração têm assumido no âmbito dos estudos de Comunicação no Brasil. Provas da conquista dessa especificidade são os diversos eventos de caráter cultural e acadêmico que têm ocorrido nos últimos anos, como o Fórum de Editoração, as Jornadas de Editoração (ambos na USP), o Simpósio de Produção Editorial da Universidade Anhembi Morumbi, o Editor em Ação (na UFRJ) e os encontros do Núcleo de Pesquisa Produção Editorial da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), entre outros.
Além disso, a proposta que consta no documento Convergência de Denominação acabaria por reunir, sob a mesma denominação guarda-chuva, cursos como Comunicação Digital, Midialogia, Estudos de Mídia, Multimeios, Hipermídia e Intermídia. Esses cursos também possuem especificidades que, ao nosso ver, tornam inadequada sua transformação em curso superior de tecnologia e sua equiparação aos cursos de Editoração/Produção Editorial, cuja especificidade foi descrita acima. O enquadramento de todas essas propostas sob o mesmo rótulo, conforme proposto, acabaria por desvalorizar a formação teórica e humanística que se espera dos profissionais dessas áreas e apagar as dessemelhanças produtivas.
Como alternativa à proposta, sugerimos que, tal como ocorre com as outras habilitações de Comunicação Social, a habilitação em Editoração ou Produção Editorial seja transformada num curso superior em Editoração, terminologia comumente utilizada na área para designar o conjunto de atividades cuja finalidade é a publicação de produtos editoriais. Com essa configuração, estaria assegurada a formação teórica, generalista e complexa que se espera de um profissional do setor. Esta proposta inclui também a seguinte descrição de curso:
PERFIL DO EGRESSO
O Bacharel em Editoração é o profissional responsável por selecionar, organizar, padronizar, multiplicar e salvaguardar informações com conteúdo de interesse social, sejam elas impressas, gravadas ou filmadas, garantindo que estejam adequadas à circulação que delas se espera. Sua atuação destina-se principalmente a obras de conteúdo referencial, literário, acadêmico, informativo, didático, instrucional e de entretenimento. Suas atividades incluem a leitura crítica, a avaliação e a seleção de originais para publicação; o planejamento executivo e financeiro da produção editorial, bem como a execução de seus trâmites legais; a produção editorial propriamente dita, incluindo o tratamento textual (edição, copidesque, preparação, revisão, redação de paratextos) e o tratamento visual (elaboração de projetos gráficos, diagramação, tratamento de imagens, pré-impressão); o planejamento de marketing e divulgação dos produtos editoriais.
TEMAS ABORDADOS NA FORMAÇÃO
Teorias e História da Comunicação; Estudos de Mídia; Pesquisa em Comunicação; Tecnologias da Comunicação; Redes Interativas; Estudos da Linguagem; História da Editoração; Mercado Editorial; Teorias da Arte, da Fotografia e do Design; Planejamento Gráfico-Visual; Leitura Crítica, Avaliação e Seleção de Originais; Edição de Texto e Hipertexto; Gêneros Editoriais; Preparação de Originais e Revisão de Provas; Planejamento da Produção Editorial; Gestão de Empresas Editoriais; Políticas Públicas de Comunicação e Leitura; Recepção, Leituras, Usos e Consumo dos Produtos Editoriais; Legislação e Ética da Editoração.
ÁREAS DE ATUAÇÃO
O Bacharel em Editoração pode atuar em empresas editoriais e na prestação de serviços editoriais, como publisher, editor geral, editor de área, editor assistente, editor de texto, editor de arte, assistente editorial, preparador, copidesque, revisor, checador, redator, diagramador, fotógrafo, tratador de imagens e produtor gráfico. Também pode atuar, nessas funções ou correlatas, nos setores de publicação/editoração de empresas públicas, empresas privadas e organizações não governamentais. Pode também ser consultor para projetos especiais de publicação de entidades de classe, artísticas, científicas etc., além de exercer a profissão de agente literário.
INFRAESTRUTURA RECOMENDADA
Laboratório de Produção Editorial Impressa; Laboratório de Produção Editorial Hipermídia; Laboratório de Redação e Edição; Estúdio de Fotografia; Agência Experimental de Editoração; Estúdio de Edição de Vídeo e Áudio.
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Secretaria da Educação Superior (Sesu) do Ministério da Educação
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