Manifesto contra a decisão de se reservar apenas 10\% dos ingressos ao time visitante em clássicos no Mineirão
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Belo Horizonte, 28 de junho de 2009
Por meio de um termo de ajustamento de conduta, o Ministério Público Estadual de Minas Gerais determinou que, de agora em diante, nos jogos no Estádio Governador Magalhães Pinto entre os dois gigantes mineiros, os torcedores do time visitante terão direito a apenas 10\% dos ingressos.
Confinar a torcida do time visitante em apenas 10\% dos assentos do estádio é no mínimo precipitado. A questão da violência no futebol é muito mais complexa e não é com uma medida simplória como essa que as coisas se resolverão. Quando se fala de futebol e violência no Brasil, coloca-se este esporte como se fosse ele o gerador da violência, quando na realidade não passa de apenas mais uma esfera da sociedade onde a violência cotidiana se expressa. Outro ponto importante a se destacar é que o tal termo de ajustamento de conduta que limita os ingressos para o time visitante preocupa-se prioritariamente com a segurança dos torcedores dentro do estádio.No entanto, as manchetes de jornais nos últimos anos raramente trazem notícias de brigas entre cruzeirenses e atleticanos dentro do Mineirão; a maior parte das confusões ocorre de fato fora dele, muitas vezes a quilômetros de distância.Pesquisas conduzidas pelo Grupo de Estudos sobre Futebol e Torcidas (GEFuT), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com torcedores freqüentadores do Mineirão nos anos de 2006 e de 2007 mostraram que a sensação de segurança que eles têm dentro do estádio é muito grande e que o momento de maior insegurança para eles na realidade é a saída do jogo, nas imediações do Mineirão e nas vias de acesso ao estádio. Por que preocupar-se justamente com o local onde os torcedores se sentem mais seguros: dentro do Mineirão? Não seria essa uma forma de camuflar os reais problemas que contribuem para a violência no futebol?
Qual é a mensagem que estão passando com essa medida? Ao invés de tentarmos aprender a lidar com as diferenças e coexistirmos, o melhor é exterminar o outro, eliminar o diferente, não ter que conviver com ele? Como uma cidade que pretende ser a sede de abertura da Copa do Mundo daqui a cinco anos pode dar um exemplo de intolerância tão absurdo? A Copa do Mundo que transmite (ou tenta transmitir) a imagem de povos unidos e em harmonia terá seu pontapé inicial em um estádio que não consegue sequer comportar torcidas de dois times ao mesmo tempo?
O investimento a ser feito é na educação dos torcedores e não em ações coercitivas que acabam por afastá-lo daquilo que lhe é muito caro, estar ao lado do seu time. Quais escolas já levaram seus alunos a refletirem em suas aulas a questão do torcer? Quais os esclarecimentos são dados ao torcedor sobre seus direitos e deveres? Quando os torcedores serão ouvidos para saberem aquilo que desejam e propõem para o futebol?
Diante do exposto somos favoráveis a revogação do Termo de Ajustamento de Conduta no que diz respeito à redução da carga de ingressos aos torcedores visitantes que limita em 10\% do total de ingressos à venda e conclamamos a todos a subscreverem nosso manifesto.
Grupo de Estudos sobre Futebol e Torcidas
Universidade Federal de Minas Gerais
http://gefut.wordpress.com/
E-mail: [email protected]
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