Nota de repúdio à prática racista do Dr. José Nunes Sarmento, Médico da Clínica Delfin de Salvador - Bahia
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No dia 18 de Maio de 2010, a ativista negra e feminista do Instituto Búzios, formada em administração de empresas, Evaldira Ieda Bahia Ferreira foi vítima de racismo praticado pelo Dr. José Nunes Sarmento, médico da Clínica Delfin localizada na Av. Antônio Carlos Magalhães, 442 , Bairro Itaigara, Salvador - Bahia. Comparecendo a esta Clínica para fazer um RAIO-X conforme solicitação médica, Evaldira Bahia respondeu ao Técnico em Radiologia que não possuía em seu cabelo que estava com mega-hair, nenhuma presilha ou objeto metálico e realizou o exame. Depois foi convidada a dirigir-se a uma saleta para conversar com o médico que assinaria o laudo. Ao entrar na sala encontrou um senhor sentado de costas para a porta que sem cumprimenta-la, fez de forma sarcástica o seguinte questionamento:
- A Senhora veio tirar raio-x do crânio ou das tranças?!
Atônita, Evaldira disse que não havia compreendido o questionamento e sem nenhum acanhamento o profissional de saúde repetiu a mesma pergunta depreciativa e logo em seguida afirmou que não tinha como emitir um laudo das tranças e para finalizar complementou que não poderia emitir o laudo disso.... Constrangida com o insulto, sentindo-se completamente ultrajada, diminuída e ofendida, ela segurando as lágrimas e controlando a emoção, perguntou o nome do médico e questionou:
Dr. José, o Senhor percebeu que está fazendo um comentário etnocêntrico da minha pessoa?! Indignada, retirou-se da sala em direção à recepção onde solicitou o cancelamento do exame e a presença da administração. Atendida pela Drª. Clarissa Sarmento (provavelmente parente do médico) esta informou compreender a situação, disse que levaria o caso a coordenação da clínica e emitiu o laudo citando que artefatos (mega-hair) na cabeça prejudicaram a avaliação das estruturas.
Contando com a orientação jurídica do Aganjú - Escritório de Apoio Jurídico Aos Afrodescendentes, Evaldira entrou com uma representação no Ministério Público contra o ato racista, conforme o relato do fato. As palavras de cunho discriminatório proferidas pelo médico reportando-se a Evaldira, com ofensas a sua raça, configuram agressão verbal, gerando abalo psicológico caracterizador do dano moral.
Nós, dirigentes de entidades negras e militantes da causa dos direitos humanos, vimos a público declarar que causou-nos profunda indignação o tratamento dado pelo médico e Clínica Delfin a uma cidadã, ativista negra e feminista. Não é difícil imaginarmos a visualização da cena e o constrangimento causado pela agressão gratuita.
A situação revela o comportamento racista a partir da identificação dos traços fisionômicos do povo negro. O tratamento discriminatório, ofensivo e injusto é inquestionável, é contundente, de forma a revelar a tentativa de colocação do negro em situações inferiores, subalternas e não dignificantes.
A jocosidade utilizada por José sarmento para proferir a ofensa discriminatória, (depois reiterada) demonstra que foram concatenadas para a consecução deste objetivo deletério. Não podemos de antemão aceitar justificativas que classifiquem o episódio como um mero descuido, e que não tenha componentes de má-fé.
MANIFESTAMOS O NOSSO MAIS VEEMENTE REPÚDIO CONTRA:
A PRÁTICA RACISTA DO DR. JOSÉ NUNES SARMENTO, MÉDICO DA CLÍNICA DELFIN DE SALVADOR - BA.
O RACISMO E TODAS AS FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO E INTOLERÂNCIA.
AGUARDAMOS O POSICIONAMENTO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
Salvador, 20 de maio de 2010.
Assinam,
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