Carta Aberta de fiéis londrinenses indignados com a posição político-partidária adotada por parte do clero londrinense
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Carta Aberta de fiéis londrinenses indignados com a posição político-partidária adotada por parte do clero londrinense
À Orlando Brandes, Arcebispo da Igreja Particular de Londrina
Pela mesma razão, não pode a Igreja aprovar uma liberdade que gera o desgosto das mais santas leis de Deus e sacode a obediência devida à autoridade legítima. Isso é mais uma licença do que uma liberdade, e Santo Agostinho lhe chama mui justamente uma liberdade de perdição (Epist. CV, ad Donatistas, cap. II, n. 9) e o Apóstolo S. Pedro um véu de maldade (1 Ped 2, 16). Muito mais: sendo oposta à razão, essa pretensa liberdade é uma verdadeira escravidão. Aquele que comete o pecado é escravo do pecado (Jo 8, 34). (Leão XIII, Immotale Dei, 48).
Caríssimo e Excelentíssimo Sr. Arcebispo, vemos por meio desta carta manifestar nossa consternação e decepção com o que ocorreu neste último final de semana em Londrina. Uma série de padres de nossa Arquidiocese assinalou um manifesto (Carta Aberta) com informações mentirosas a respeito do candidato José Serra atribuindo a ele a regulação do aborto no Brasil e manifestando sua adesão à candidatura de Dilma Rousseff.
Estamos diante de uma eleição fora do comum, pois temos duas candidaturas com propostas praticamente iguais na área Econômica, Social e Política, com pequenas divergências aqui ou ali. Entretanto, no caráter de ideologia, são candidaturas que representam dois extremos, que podem a vir a se refletir enquanto políticas públicas a curto e médio prazo.
Excelentíssimo, o programa do Partido dos Trabalhadores sempre incluiu em seu programa o direito das mulheres ao aborto, considerando esta questão como saúde Pública e direito da mulher (considerando o feto como corpo da mulher e não um ser autônomo), como declarou a candidata Dilma Rousseff em diversas oportunidades, inclusive no Debate da CNBB.
A atual lei brasileira advém do Código Penal em sua redação original que lamentavelmente prevê o aborto terapêutico e o aborto dito piedoso. Tal aborto é regulado de sua redação original no art. 128 do Código Penal. Nesse sentido o candidato José Serra editou Portaria Ministerial que regulamenta o aborto no SUS, sendo a única autoridade competente para tanto, enquanto Ministro da Saúde à época. Entretanto já havia a Lei permissiva do aborto. Assim, tal folheto, representa uma atitude anticristã, vez que falta com a verdade declarando que José Serra regulamentou a lei do aborto, dando a entender que antes disso, não havia o aborto no Brasil.
Em primeiro turno vossos colegas da CNBB Regional Sul 1 lançaram um manifesto contrário à candidatura do PT devido ao seu apoio do aborto, o que levou a toda essa celeuma e à candidata Dilma Rousseff a se retratar quanto ao aborto. Não pediram, porém, apoio a alguma candidatura.
Em Londrina um grupo de fiéis panfletou os documentos da regional Sul 1 em uma atitude de liberdade democrática de manifestação e sobretudo por se tratar de um Documento da CNBB. Numa das Paróquias, Paróquia Imaculada Conceição, o Revmo. Pe. Mauro Pedrinelli hostilizou os fiéis, humilhando-os na frente de toda a comunidade e proferindo uma homilia criticando a Madre Igreja, o Santo Padre e dizendo que Cristo não fundou religião alguma. Defendeu assim o pluralismo religioso, entretanto, apenas não aceitou o posicionamento Católico. Assim, o Revmo. Pe. Mauro defende todas as formas de manifestação religiosa, exceto o Catolicismo. Sobre o Documento, Pe. Mauro disse que tal documento era falso e acusou os fiéis do crime de Falsificação de Documento Particular e Falsidade Ideológicos, tipificados no Código Penal, nos art. 298 e 299, o que representa Crime de Calúnia (art. 138). Os fiéis optaram por não fazer representação na esfera criminal contra Revmo. Pe. Mauro em respeito à sua posição de sacerdote de Cristo. Com efeito, tal panfleto foi confirmado pelos Bispos da Sul 1 e por Dom Geraldo Lyrio Rocha, presidente da CNBB.
Qual não foi nossa surpresa quando vimos neste último final de semana um manifesto de Padres de Londrina defendendo a candidatura de Dilma Rousseff assinalado igualmente pelo Pe. Mauro Pedrinelli. Antes não podia panfletar. E agora pode? E aqui voltamos ao que dissemos acima: a diferença substancial entre as duas candidaturas subsiste na ideologia.
Como se sabe, o PT e a candidata Dilma Rousseff foi uma das articuladoras do PNDH-3, Plano Nacional de ditos Direitos Humanos, algo que o Estado Brasileiro faz há diversos anos como implementação de medidas de Direitos Humanos decorrentes da assinatura de Tratados Internacionais, cuja última versão foi a dita PNDH-3, editada recentemente pelo Governo Lula. Juridicamente falando é um decreto presidencial, que não gera direitos imediatos, mas representam apenas políticas públicas a serem regulamentadas por lei.
Tal documento foi produzido sem qualquer debate democrático, sendo absolutamente desconhecido o modo como foram feitas as reuniões e discussões. Tal documento prevê, Excelentíssimo Arcebispo, dentre outras medidas, as seguintes:
Prevê que um homossexual e transexual tem direito a saúde preferencial e diferenciada frente a um trabalhador (Cf. Diretriz 7, Objetivo Estratégico IV, Alínea a )
Programas de Saúde diferenciados e prioritários a homossexuais, transexuais e prostitutas (Cf. Diretriz 7, Objetivo Estratégico IV, alínea p e q )
Considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde. (Cf. Diretriz 9, Objetivo Estratégico III, Alínea g )
Limitação da reintegração de posse (Cf. Diretriz 17, Objetivo Estratégico VI da Diretriz 17, que dispõe na alínea b )
Originariamente previa a retirada de símbolos religiosos em repartições públicas e só foi revogado por conta de críticas de setores da Igreja (Desenvolver mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União.)
Prevê Ensino Religioso Estatal, com ensino de todas as religiões e ênfase nas religiões Afro-Brasileiras (Diretriz 10, Objetivo estratégico VI )
A verdadeira mestra da juventude e a guardiã dos costumes é a Igreja de Cristo. É ela quem conserva na sua integridade os princípios de onde emanam os deveres, e quem sugerindo os mais nobres motivos de vem viver, ordena não somente fugir às más ações, mas domar os movimentos da alma contrários à razão, ainda quando não se traduzem em ato. (Leão XIII, Immortale Dei, 40)
Excelência, como não se manifestar contrariamente a tais medidas? O senhor como presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da CNBB sabe muito bem que tais ideologias representam uma forma velada e próxima de Comunismo, condenado pela Madre Igreja nos Documentos Divini Redemptoris, Quanta Cura e Syllabus.
Apoiar uma candidatura que apóia tais medidas, significa chancelar o PNDH-3 e acelerar o processo legislativo de aprovação de tais medidas e garantir a inexistência de veto em eventual aprovação das leis que regulamentem tal PNDH-3.
Assim, não se está a afirmar que a candidatura de José Serra represente o ideal ou os ideais Católicos. Mas sim que é o mais próximo ou o mais afastado de medidas anti-católicas. Aliás, frente ao segundo turno, temos que aderir a Dilma ou a Serra. E sim aquilo que a Teologia Católica nos ensina há muitos anos, a chamada teoria do mal menor. E nesta eleição, o mal menor é o candidato José Serra, que não aderiu ao PNDH-3
Portanto, se tais padres querem votar na referida candidata ou se fiéis Católicos o querem fazer, que o façam de forma legítima e democrática e silenciosa. Entretanto, da parte de um sacerdote, que detém conhecimento dos Documentos da Igreja e que detém de posição de credibilidade perante a sociedade, mesmo com os recentes escândalos de pedofilia, de que nem nossa Diocese fora imune, para promover uma política anti-católica, disso não podemos aceitar.
Assim sendo, demonstramos por meio da presente, nossa profunda decepção com parte do clero londrinense, que chega a se utilizar de mentiras para apoiar uma candidatura que representa uma afronta ao Estado Constitucional de Direito e que representa um grave atentado à Dignidade da Pessoa Humana utilizando-se de forma ilegítima dos instrumentos Democráticos.
É o autoritarismo civil, condenado por Hélio Bicudo, fundador do PT. Não se trata mais de ideologias políticas, preferência por direita ou esquerda, Partido X ou Partido Y. Estamos sim diante de uma situação de crise institucional, e não é possível aceitar que padres passem covardemente por cima da verdade para angariar votos favoráveis a um partido que apresenta uma grande afronta à doutrina Católica.
O senhor sabe muito bem, Excelentíssimo Arcebispo, que os documentos relativos à dignidade humana e a defesa da vida não são documentos Católicos, no sentido de voltados à comunidade Católica Romana, mas são documentos católicos, voltadas a toda a humanidade.
Não podemos admitir que sujeitos ligados à Igreja traíam a sua tradição histórica de defesa da vida e da dignidade humana, passem agora a defender quem defende uma destruição de nossas raízes culturais, em nome de um pseudo-pluralismo de uma minoria. Mais lamentável ainda que sujeitos que entregaram suas vidas à causa de Cristo, entreguem-se agora à causa política, jogando para trás todo o seu compromisso assumido diante da Cruz de Cristo.
De quem não teme a defesa dos valores cristãos, assinamos a presente na qualidade de fiéis Católicos Londrinenses para manifestar a V. Excelência, enquanto pastor desta Igreja Particular, nossa indignação e estupor diante de tamanha afronta à doutrina Católica por parte de nossos presbíteros, valendo-se inclusive de forma dolosa de mentiras, fazendo um jogo sujo da política para declarar o apoio a quem é articulador do PNDH-3.
Viva Cristo Rei!
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