-Considerando que, ao longo das últimas décadas, a União Europeia tem protagonizado um processo de militarização, acelerado desde 1999, após ter tido um papel crucial no violento desmembramento da Jugoslávia e, posteriormente, na brutal agressão militar a este país
-Considerando que desde a Cimeira da NATO realizada em Washington, em 1999, a União Europeia se assume como pilar europeu deste bloco político-militar liderado pelos EUA - papel que deste então não cessa de se reforçar
-Considerando que, ao longo das últimas décadas, a União Europeia tem protagonizado e apoiado todas as agressões militares da NATO e ou dos seus membros contra a soberania e a independência nacional de diferentes Estados - como na Jugoslávia, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia ou agora na Síria -, bem como violentos regimes de sanções que atingem duramente os povos de diversos países;
-Considerando que a União Europeia tem protagonizado posições e acções que, contrariando os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas, promovem uma incessante militarização das relações internacionais, sendo complacente com a violação de direitos humanos, como se verificou, por exemplo, com os denominados «voos da CIA» - os seus criminosos sequestros e práticas de tortura.
-Considerando que os propósitos enunciados e a acção da União Europeia se distanciam de valores e princípios das relações internacionais, como: o respeito da soberania; o não recurso à ameaça ou uso da força; o respeito pela integridade territorial dos Estados; a resolução pacífica dos conflitos; a não ingerência nos assuntos internos dos Estados; o respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais; o direito à autodeterminação dos povos; e a cooperação entre os Estados.
-Considerando que, neste momento, com as políticas que pratica e os autênticos pactos de agressão impostos à Grécia, a Portugal e à Irlanda, a que pretendem juntar a Espanha e a Itália, estão a intensificar desigualdades o desemprego e a pobreza, o que, pondo em causa a soberania e independência nacionais, constituem também uma ameaça à Paz,
Os seguintes signatários protestam contra a atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2012 à União Europeia.