A população do Ipiranga solicita uma análise da situação de violência urbana pela Brigada Militar para Instalação de Base Comunitária da Polícia Militar (policiamento intensivo, base móvel ou fixa ou até mesmo a ROTA).
Prefeito de São Paulo, Câmara Municipal dos vereadores, Secretária de Segurança Pública e Região.
Nós, moradores do bairro do Ipiranga e imediações, estamos apavorados com o que vem acontecendo nos últimos tempos. Não é exagero dizer que enfrentamos um problema crônico de violência, e temos assistido aos prejuízos irreparáveis com certa impotência e constrangimento. Não é a toa que, recentemente, o Brasil pôde acompanhar parte da situação por causa do último (e não o único) latrocínio ocorrido nas imediações, vitimando uma moradora na tradicional e vital Rua Vergueiro (que faz a ligação de avenidas principais como a Rod. Anchieta e Tancredo Neves) com um tiro na cabeça. A região vem enfrentando furtos e roubos constantes a transeuntes e estabelecimentos (que muitas vezes sequer registram boletins de ocorrência com medo de represálias), marginais que utilizam drogas em plena luz do dia, casos de violência sexual, roubo de veículos e demais reflexos do tráfico e do domínio da criminalidade.
Para justificar nosso pedido, citamos abaixo materiais jornalísticos e estatísticos apenas para tentar ilustrar o cenário:
“O Ipiranga é um dos bairros mais antigos de São Paulo, onde ocorreu a proclamação da independência do Brasil às margens do rio Ipiranga, imortalizado no Hino Nacional Brasileiro. Neste ano, o bairro do Ipiranga foi o 2º bairro com o maior índice de roubo e furto de veículos em São Paulo atrás somente do bairro de Itaquera. Esses dados são da base de clientes que possuem Rastreador Ituran.” (Dado fornecido pela empresa Ituran).
“A advogada Renata Fabiana de Campos Moraes, de 38 anos, morreu depois de ser atingida com um tiro na cabeça, após uma tentativa de assalto, por volta das 21h do último domingo (17), na rua Vergueiro, na Vila Firmino Pinto, Ipiranga, região sul de São Paulo. Ela deixava a prima Carolina Martins Nascimento de Moraes em casa quando foi abordada por quatro homens que anunciaram o assalto. Na ação, a advogada foi baleada e, na sequência, bateu contra mais quatro carros que estavam estacionados na rua. No fim da manhã de quarta-feira (20), os Policiais Civis já haviam detido dois menores de idade que moravam na região. Durante as investigações, os policiais descobriram que um deles já havia sido reconhecido dias atrás por ter roubado outro carro.” (R7 em 21/06/2012).
“O Setor de Inteligência do 17.º Distrito Policial (Ipiranga) já identificou e mapeou os locais com maior incidência de delitos. (...) “Queremos flagrar os ladrões de carro, que é o nosso problema principal", explica o delegado titular Evandro Luiz de Melo Lemos. Entre 2009 e 2010, a média era de 26 carros roubados por mês. Hoje, é de 45. Mais policiamento. O presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do Ipiranga, Sérgio Yamada, diz acreditar que faltam abordagens policiais no bairro. "Não está escrito na testa quem é bandido e quem não é. Precisamos de policiamento mais enérgico", diz. (CAMILLA HADDAD, JORNAL DA TARDE - O Estado de S.Paulo).
“A moradora do bairro, Maria Aparecida Marques, diz que o sistema Médicos da Família foi criado, mas nunca executado na localidade. Além disso, Maria Aparecida questionou a falta de higienização do local. "Não tem nem papel higiênico. Falta sabonete para lavar as mãos e a população tem medo de ir marcar consulta porque a Uaps fica perto de uma praça que é ponto de tráfico de drogas.". De acordo com a funcionária da Uaps, Juliana Costa, os colaboradores da unidade trabalham com medo de serem assaltados. "Trabalhamos correndo risco de morte. A situação na Uaps é tão precária que não temos papel higiênico, copo de água, além do vaso sanitário não ser adequado", ressalta. (JORGE JÚNIOR, Acessa.com – 26/06/2012).
“Além do latrocínio na rua Labatut amplamente divulgado pela mídia, moradores e síndicos de prédios da rua e das imediações vieram à reunião do Conseg para manifestar a preocupação com a falta de segurança, pois o caso noticiado, segundo eles, não é o único registro criminal ocorrido. Afirmam que roubos e furtos de carros têm sido quase uma rotina. A mesma situação enfrentam as ruas Lord Cockrane, próximo à Igreja Nossa Senhora Aparecida, e a General Lecor. Já na Costa Aguiar, em direção à Labatut pessoas denunciaram ação de uma mulher que usa uma faca no final das tardes para roubar pessoas. Sem contar os estabelecimentos comerciais que são arrombados e invadidos durante as noites.” (CRISTINA FERES – Portal do Ipiranga – Sobre a última reunião no Conseg em 29/05/2012).
“Continua repercutindo o caso de estupro na Praça Pinheiro da Cunha, o suposto autor do crime, Alessandro de Campos Custódio, de 29 anos, teve prisão preventiva decretada na noite de terça-feira (3). (...) Além da jovem de 17 anos que reconheceu o suspeito no 17º DP, no Ipiranga, uma outra jovem de 18 anos que teria apontado ele como o suspeito do estupro que sofreu na região (...).” (Ipiranga News, 25/06/2012)
“O baile funk da Favela de Heliópolis, na zona sul da capital, nas madrugadas de sábado para domingo, reúne não só jovens da comunidade mas, principalmente, grupos de classe média de outras regiões da cidade que vão em busca de drogas. Cocaína, maconha, ecstasy e lança-perfume são vendidos à vontade e consumidos no meio da rua. A compra pode ser feita perto da “boca”, uma delas conhecida como lagoa, ou com os “aviõezinhos” que são adolescentes que oferecem os entorpecentes no meio do pancadão. Informações de pessoas ligadas ao tráfico são de que o lucro médio na festa é de R$ 8 mil, o que significa R$ 5 mil a mais que o obtido nos dias normais, sem o pancadão. A reportagem do JT esteve na festa, conhecida como Pancadão Bonde 3 de Heliópolis. No último sábado tinha cerca de 1,5 mil pessoas. Os moradores da comunidade passam a noite sem dormir por causa do barulho e dizem que as autoridades policiais são omissas. As ruas da festa são de fácil acesso para quem vem de carro de outras regiões já que podem deixar os veículos estacionados próximo a Avenida Almirante Delamare.” (MARICI CAPITELLI, Jornal da Tarde, 29/11/2011).
Diretor da Unas quer a volta do Bonde 3 no Heliópolis. (PRAVDANEWS, 17/06/2012).
Este breve panorama da situação permite fazer uma ingênua ideia dos temores da população que habita este distrito. Por este motivo, manifestamos nosso apoio às ações mais ostensivas que se fazem necessárias à Segurança Pública, norteadas pelas autoridades locais competentes.
Pleiteamos providências sob análise da Brigada Militar, para que seja reforçada não somente a segurança e integridade física dos cidadãos, mas também o Direito Constitucional previsto no artigo 5º , sem que sejamos acusados de sermos vitimados por exercê-lo.