Reflexão e pedido de reavaliação referente ao mandado impetrado pelo CRMV-SP
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Vivemos num mundo em constante estado transitório, onde as transformações e mudanças benéficas ocorrem a todo instante.
Dia a dia surgem novas descobertas seja na área da saúde, ensino, financeira e outras, sempre no intuito de uma transformação positiva, visando nosso bem estar, nossa integração saudável junto ao nosso meio ambiente, ao mesmo passo em que, como que se necessitassem de pólos opostos para um suposto equilíbrio, também se apresentam outras questões, como a fome, a pobreza, a miséria, o individualismo, a intolerância, a violência, o desrespeito, o desperdício, a desvalorização da vida.
Isso é realmente muito bonito no papel e todos já sabemos.
Porém, na verdade, sejamos sinceros: a grande maioria de nós prefere evoluir confortavelmente, sem aproveitar o melhor de nossas concepções, aprendizados, formação profissional e conseqüentes contribuições para a transmissão a outrem, estendendo-as num perímetro maior do que 1km, e claro, na maioria das vezes com um interesse maior embutido.
Desta forma, movidos por argumentos bem elocubrados, muitos interesses se estabelecem e ganham força, seja no comércio, vide parcelamentos, formas de pagamento atraentes, cartões de crédito sem anuidades, facilidade de crédito sem avaliação, brindes, descontos, promoções, ou seja dentro da política que rege nosso País. Todos, aparentemente defendendo um interesse solidário e altruísta, em verdade remontam uma disputa vaidosa de interesses próprios, poderio, controle, satisfação própria.
Pergunto aqui:
Quem ganha? O que se ganha? Para quem realmente se estende?
Incluindo-se dentro desta abordagem, vimos por exemplo a questão da prática da Acupuntura, anteriormente criticada pelo Conselho de Medicina, passando por vários processos comprovando sua eficácia, chegando a ser defendida para uso somente pela classe médica posteriormente, (repare que a mesma classe que a criticou, após certo tempo requereu direitos reservados) obtendo espaço dentro da categoria das ocupações e posteriormente podendo ser exercida pelos profissionais da párea de saúde.
Vemos agora nesta questão, a Lei 12.916 de autoria do Deputado Feliciano X CRMV-SP (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), na figura do seu presidente, Sr. Francisco Cavalcanti de Almeida através de seu Mandado impetrado.
Analisando o discurso e os argumentos deste mandado, convido-os a perceber profundamente uma semelhança na questão, onde a vaidade, o controle, a disputa, o poder, ao invés do real interesse tanto no bem estar da população relativo às doenças transmitidas pelos animais, quanto na compaixão referente à situação dos próprios animais que supostamente aguardariam uma adoção por muito tempo em ccz´s, o que levaria a se questionar o conforto dos mesmos, se faz em vigor sob a forma de um mandado.
Se realmente o Conselho se preocupasse com o bem estar tanto dos animais quanto dos humanos (estudantes ao menos), como aparentemente descreve no argumento, haja vista a quantidade de informações que se disponibiliza tanto nacional quanto internacionalmente, estimularia as universidades para que mais rapidamente passassem a se utilizar de softwares como substituição de muitas práticas experimentais em aula; faria uma melhor integração/correlação/supervisão dos conteúdos metódicos e complexos entre as disciplinas propostas, bem como a adicionaria outras matérias complementares e de mesmo grau de importância referentes à habilidade profissional e direcionamento de formação como etologia, psicologia comportamental voltada para animais, por exemplo. Estimularia a pesquisa embasada na bioética em todos os sentidos que envolve, forneceria um acompanhamento psicológico aos estudantes, devido a incansáveis demonstrações de que as práticas vivisseccionistas promovem um stress e um menor rendimento do aluno em aula, promoveria campanhas onde o estudante pudesse ser reforçado e não menosprezado desde a questão social quanto à solidariedade até quanto à Objeção de Consciência; e por último, participaria mais ativamente desenvolvendo programas junto à política de forma a viabilizar esta Lei 12.916, e não o inverso.
Estes são somente alguns exemplos.
Sabemos que para toda nova legislação, existe um período de adaptação, e para tal, também se faz necessário um investimento, um acompanhamento de sua prática, sendo que o resultado objetivado não ocorre imediatamente após sua decretação.
Se formos observar pela mídia, (e não podemos somente tirar esta amostragem como resultado), estão sendo feitas inúmeras campanhas para promover e dar andamento a esta nova Lei, voltadas para adoção de animais provenientes dos CCZ´s. E há que se observar que isto já ocorre e tem obtido sucesso, juntos ou não a personalidades conhecidas e/ou políticos engajados.
Existe ainda neste âmbito uma questão cultural da qual ainda se valoriza mais a aquisição de um cão de raça do que um sem raça definida, o que colabora para o estocamento destes animais aguardando uma adoção.
Portanto, alegar no mandado uma questão quase similar à revogação do direito de ir e vir para com os médicos veterinários, embasada na preocupação quanto à este bem estar, diante desta minha explanação, pode-se perceber que o objetivo é muito superficial.
Em nenhum momento, ao meu ver, os veterinários deixariam ou se tornariam lesados com o vigor desta Lei. Ao contrário, se realmente utilizassem toda força diante do aval Legal que lhes é concebido na profissão em prol da preocupação que discorrem, fariam mais parcerias, alianças, se preocupariam em colaborar com seus conhecimentos específicos para promover o resultado esperado, não o inverso.
Claro, devido a esta Lei não ter tido autoria proveniente de um profissional em questão, em outras palavras, sendo criada por um ignorante , leia-se a aqui a definição como suposta e enganosa falta de conhecimentos específicos para tal , isto proporciona uma afronta em sua vaidade.
Desta mesma forma, muitas descobertas foram retalhadas, embora reconhecidamente benéficas.
Infelizmente, com a volta deste procedimento arcaico, pouco supervisionado inclusive em estados mais periféricos quanto à prática do que revogam, o que se ganha são mais sujeitos em sala da aula para a dar continuidade a procedimentos dolorosos e antiéticos, cujas alternativas cientificamente comprovadas ainda são resistidas a serem vistas pelos mesmos autores.
Um outro fator que observo é o de que, a prevenção de zoonoses, argumento também enfatizado no mandado, vem conquistando espaço muito mais por Ongs aliadas a profissionais da classe autonomamente, com o apoio do governo, que mais atuantemente promovem a saúde pública, retirando, castrando animais das ruas, (atitudes que deveriam ser incentivadas em aula, já que se espera ser este um dos comprometimentos do profissional com a sociedade diante de sua formação e conhecimentos para tal), do que dentro das Universidades de Medicina Veterinária.
A simples coleta reciclada de lixo dentro das Universidades já seria um fator de prevenção modelo.
Ou seja, ainda não há uma aliança para a mesma causa e o retrocesso desta conquista não sanará esta questão.
Sendo assim, pretendo aqui promover uma real reflexão de valores e atitudes, para que através deste exemplo, possamos avaliar melhor não só esta questão revogada, como todas as nossas atitudes contra e a favor de qualquer coisa que reivindiquemos, verificando sempre o que e para quem este benefício se daria.
Mais profundamente, a volta deste extermínio indiscriminado de cães, supostamente alegada por não ser digno o aguardo de adoção destes animais ainda que em gaiolas, mesmo que com alimento e higiene oferecidos e sabido do apoio que a comunidade vem fazendo para divulgação e vigor da Lei, nos remete à repensar no aborto como uma forma correta, já que movida pelas mesmas razões a mãe em questão, por não conceber que sua criança viveria ao nascer num universo sem o suprimento de suas necessidades básicas, por assim dizer, também estaria correta em praticá-lo.
Já se parou para refletir sobre isto?
Devemos retroceder ou nos unir para validar esta Lei, cada um fazendo o melhor uso da competência que lhes confere?
Proponho aqui uma análise mais coerente desta situação social muito mais abrangente do que simplesmente da classe, de forma que construtivamente cheguemos a uma solução benéfica para todos.
Meu voto é Não ao Mandado e sim ao progresso, mais parcerias, mais consciência e exemplos construtivos na questão da valorização da Vida!
Cada grande movimento deve experimentar três estágios:
Ridículo, Discussão, Adoção"
John Stuart Mill
Autora: Tatiana Grande Kelbert Psicóloga FMU/93, Artista Plástica e Escritora, assina pelo nome artístico: Safih Quelbèrt.
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